INTROITVM
Marx,
Kant, Nietzsche, Freud, Hegel et caterva comungam todos de um problema
identificado já por Sócrates, na época dos sofistas: eles dissociam o ego real
do ego filosófico. Ora, filosofia nada mais é que a descrição
mais fiel possível da realidade. Se os dois “ego”s não buscarem por
todos os meios possíveis ser um só, naturalmente o ego filosófico
não terá compromisso algum com o ego real. Isso significa,
trocando em miúdos, que o ego filosófico se preocupará com a
elaboração de um sistema que faça sentido sem ter o compromisso de fazer esse
sistema funcionar na realidade prática. Portanto, se o sistema descrito for
algo completamente falso, irreal, ele passará por verdadeiro contanto que seja
verossímil.
Ou seja: para os filósofos modernos, A REALIDADE NÃO IMPORTA – e nem teria como,
uma vez que, por princípio, a produção intelectual desses sujeitos se iniciou
distante dela.
Esse desprezo se coroa na educação básica, quando ensinam os alunos a dissertar
através de mecanismos rudimentares, como brainstorming, listas de
“prós e contras”, vocabulário crítico previamente estabelecido, fórmulas de
argumentação crítica previamente estabelecidas e investidas de criatividade
argumentativa – que precisam ter não mais que um aroma de verossimilhança, mas
precisam defender as famigeradas CAUSAS SOCIAIS.
Nisso, portanto, consiste a porta de entrada para a maior parte dos concursos: MATERIALISMO PRÁTICO, SLOGANS, CAUSAS MILITANTES e VEROSSIMILHANÇA. Qualquer produção nesse
sistema não precisa ser necessariamente verdadeira ou falsa; a verdade
simplesmente não interessa, uma vez que o objetivo desse tipo de sistema não é
avaliar a capacidade escrita de ninguém. Esse sim possui um substrato: a
formação de mentes vazias com delírios de grandeza; idiotas úteis, incapazes de
perceber sequer a própria sandice.
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