sexta-feira, 18 de março de 2016




OS TRÊS TIPOS DE PETISTAS

                Eis uma breve e abstrata descrição dos apoiadores de um partido criminoso, baseada em não poucos exemplos reais. Esta descrição não visa a difamar os cidadãos que os apoiaram mas, ao contrário, visa a limpar a sua imagem. Verdadeira vergonha é apoiar bandido no poder. Se você, ex-petista como eu, partilha dessa vergonha, aceite, como eu, a admissão da prévia ignorância; lute para tirar seus amigos honestos desse engodo e, principalmente, NUNCA MAIS permita que esses cretinos comunistas voltem a nos enganar.

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TIPO 1 à O PETISTA IGNORANTE

Este primeiro tipo é um coitado enganado. Entra no engodo socialista por meio das ideologias fantasiadas de cristãs, com discursos tíbios de igualdade, pacifismo, partilha e justiça social. Não que os discursos em si tenham algo de cristão, mas como “foi o padre que falou”, e como “não é possível que o professor de geopolítica esteja errado”, ele entra no esquema socialista com aquela fome de “mudar o mundo para melhor”. Seu coração está no lugar certo, mas é um ignorante.

Ignorante por não saber que as ideologias fomentadas pelo Foro de São Paulo nada têm que ver com os seus substratos. Ignorante por achar que a idoneidade moral de um comunista pode ser medida pela régua moral da tradição. Por não saber que os políticos do PT não são corruptos, mas sim fora-da-lei, bandidos que prestaram juramento a um sistema moral alheio à nossa constituição e aos bons costumes brasileiros.

Escravo da ideologia comunista endossada pela herética Teologia da Libertação (que, repito, nada tem que ver com os substratos do Foro de São Paulo), ainda na ignorância, o cidadão se vê hoje indignado com o PT, porque este feriu princípios cristãos a ele inegociáveis. Princípios que, desde o primeiro jornal dominado ainda na época da ditadura militar, foram sistematicamente violados pelos comunistas sem um pingo de peso na consciência.

Hoje, o brasileiro de bem, ainda ignorante, quer tirar o PT do poder porque viu que os representantes da mentira em que ele cresceu para acreditar não correspondem às suas expectativas morais.

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TIPO 2 à O PETISTA INTERESSEIRO

A este tipo, podemos chamar com propriedade desonesto material. Este não consegue enxergar perspectiva de sucesso fora dos auxílios governamentais.

Há, por exemplo, o típico professor de ensino universitário. Ele julga um governo bom ou ruim pela régua da estabilidade institucional. Acredita que um influxo de verba que financie projetos de pesquisa, doutorados sanduíche ou ciência sem fronteiras seja o suficiente para qualificar um governo como “preocupado com a educação”. Esquece-se de que esse mesmo governo baliza o rumo dessas atividades de acordo com o seu próprio viés ideológico; que uma licenciatura ou uma pós-graduação dificilmente seriam endossados pelo MEC se se enquadrassem fora do escopo da revolução cultural.

Há, também, o típico funcionário público. Nada julga mais sagrado que a estabilidade de um concurso público. Direito de quantas greves quiser por ano, poder ter a opção de trabalhar bem ou não fazer porcaria nenhuma pelo mesmo exato salário gordo, uma maravilha! Deuses o livrem de baixar na presidência um liberal ousado como Mauricio Macri. Ser obrigado a mostrar competência ou correr o risco de cair no olho da rua – igual a qualquer cidadão normal – jamais!

Não excluamos de cena o típico artista. Ator, pintor, músico ou o que valha, imagina que jamais conseguiria se virar em um Brasil tosco sem as facilitações da Lei Rouanet. Não só isso, julga o próprio trabalho como essencial para a vida cultural do país que espontaneamente os rejeita, e apoia o governo que os apoia de volta com aquele ar pedante de superioridade intelectual, de “formador de opinião”.

Que se dirá, então, da militância profissional, das ONGs, dos sindicatos, dos diretórios de partido, que vivem de nada fazer fora do universo partidário? Que se dirá da nossa oligarquia midiática, dos banqueiros, das empresas estatais, dos conglomerados privados que integram o estamento burocrático? Essa turma de oportunistas jamais dirá um nada contra o próprio esquema de vida.

Esses representam os 7%, os 14 milhões de imediatos do governo que darão o sangue, se preciso, para não perder as regalias.

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TIPO 3 à O PETISTA DESONESTO INTELECTUAL

Estes são os que pensam: “Todo mundo é corrupto, não tem solução, mesmo. Mas esse Lula aí, pelo menos, é comunista, é um mal menor que o resto”. Estes imaginam, na cabeça podre deles, que ser comunista é algum tipo de mérito, como se algum bem já tivesse surgido no mundo por causa do comunismo.

Partilhando, por vezes, das deficiências anteriormente citadas, vomita discursos contra o PSDB (como se PSDB não fosse desinformação do PT), ataca o liberalismo econômico pela sua vulnerabilidade moral (como se o povão brasileiro fosse liberal, ou entendesse alguma coisa de liberalismo), despeja xingamentos tão fantasiosos quanto difamatórios, chamando o povo de fascista, elitista, odiento, quando a política dos que eles defendem é a que transpira fascismo, elitismo e ódio. Incoerência? Pelo contrário, isso é instrução: “Acuse-os do que você faz. Xingue-os do que você é”. É um velho lema comunista, que vigora a todo vapor na elite comunista das terras tupiniquins.

Esse terceiro tipo é o mais perigoso. É o que se vê capaz de cometer todo tipo de atrocidades recomendado no Manifesto Comunista, crendo firmemente que todos os sacrifícios (dos outros, é lógico) são válidos para se chegar ao “verdadeiro comunismo”. Que se cala (se não aplaude) frente às atrocidades de Lenin e Stalin, de Mao Tsé-Tung, de Pol Pot, de Fidel Castro. Que não admite (se não aplaude) o frangalho que se tornou a Venezuela de Chavez, o estrago que a política continuada dos Kirchner fez na Argentina. Que não enxerga (se não aplaude) as conexões criminosas do Foro de São Paulo (organização que comanda o Brasil sob a fachada do PT) com as FARC, com o MIR chileno, com o PCC paulista, com a FSB russa. Que insiste em endossar as ideologias criminosas forjadas para estilhaçar o espírito humano no intelecto, estimulando-o à negação da razão, na vontade, relativizando o bem e o mal, e na sensitividade, ocluindo a beleza pelo prestígio do grotesco. Que insiste em romper com uma tradição milenar para implantar nas nossas vidas um modelo bizarro de ordem social, baseada nos caprichos de uma elite que nada mais quer que a extinção da primeira propriedade privada de todos nós: a nossa consciência individual. Os Lulas surgem é daí.

Com este terceiro grupo, não há diálogo. Apenas a segregação. Não por negar-lhes a condição de cidadãos, mas porque eles próprios abjuraram daquilo que chamamos cidadania. Sua hierarquia de valores, invertida, privilegia o comunismo como matéria de união, preterindo a condição humana que nos une aqui na terra, a nação que nos abriga e o Deus que livremente deu-nos sua vida para nos unir nos céus. A este terceiro grupo, nada podemos dirigir senão a nossa oração e os sinceros votos de conversão.

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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

O PROBLEMA DA VERDADE I

A DESCOBERTA DA VERDADE

Na Grécia antiga, nos primórdios da filosofia clássica, existiam inúmeras escolas sofisticas que, ao supervalorizar o ato do debate, relativizavam a existência da VERDADE em praticamente todos os níveis. Naturalmente, se não existe uma verdade, não há por que construir conhecimento, uma vez que inexistência da verdade o tornará fútil. A futilidade do bem-saber, contudo, levava os sofistas e seu círculo de influência a ignorar a nobreza inerente ao conhecimento, a relativizar a existência do certo e do errado, do bem e do mal. Isso não só conduzia os participantes a um vazio espiritual imenso, em que a vida parece não fazer sentido, mas gerava problemas particularmente ásperos no que tangia a vida em comunidade. O sofisma, portanto, por se ater a relativizações excessivas e grosseiras – além de ser, de praxe, desonestamente verossímil e convincente – acabava por servir de justificativa para excessos materiais que, em outra situação, seriam completamente inadmissíveis. Ou seja, a descrença nas VERDADES OBJETIVAS acabava, como acaba cedo ou tarde, por destruir o espírito humano e levar a sociedade ao caos.
Sócrates, percebendo isso, condenou absolutamente a existência de uma ciência que não partisse diretamente da observação das verdades mais óbvias e inegáveis para, a partir delas, discorrer sobre noções mais elevadas e distantes da experiência direta, resolvendo objetivamente questões morais que, antes disso, eram tratadas banalmente como mera questão de opinião (vide e.g. a questão da Justiça, que era tratada antes como um meio para se obter fins diversos, e que Sócrates conseguiu provar ser um bem em si, independentemente de quais sejam as consequências do seu exercício).
A consequência imediata disso foi avassaladora: se existe uma VERDADE e esta não é relativa, ela precisa necessariamente ser premissa de todo processo filosófico. É com Sócrates, portanto, que ela se torna a condição sine qua non para se fazer FILOSOFIA. Logo, discursar – ou dissertar – sem compromisso com a verdade não é fazer filosofia, mas produzir sofismas – requintes retóricos vazios, de pura vaidade, que visam antes a convencer alguém que reconhecer a realidade tal qual ela é.
Os frutos dessa norma foram imediatamente brilhantes. Aristóteles conseguiu formalizar o que Sócrates descobrira, fundando o que conhecemos hoje como método científico. Ele fundou as bases para que desse a educação formal através da GRAMÁTICA, da RETÓRICA e da LÓGICA. Ele, em uma sociedade politeísta governada por uma moral literária, conseguiu através da filosofia provar a EXISTÊNCIA DE DEUS, e que esse Deus era um só. Era como se a sua filosofia tentasse, pela sua própria natureza, alcançar o que havia de divino no mundo – a própria VERDADE. Não parece banal coincidência que essa mesma Verdade tenha descido dos céus poucos anos depois, para presentear a humanidade com algo que, agora, ela estaria preparada para processar: a fugacidade do mundo e a perenidade da alma em Deus.
Os discípulos indiretos de Aristóteles, especialmente após a Revelação, foram ilustres e inúmeros, dentre os quais, Santo Agostinho, bispo de Hipona, um dos maiores filósofos e teólogos que a humanidade já concebeu, e que forneceu as bases filosóficas, teológicas e morais para que se erguesse, das cinzas do Império Romano, a IDADE DA LUZ, rebatizada pejorativamente pelos humanistas Idade Média.

A NATUREZA DA DISSERTAÇÃO

Não raras vezes, tive alunos experimentando dificuldade em discernir DISSERTAÇÃO de ARTIGO DE OPINIÃO. Disse-nos Aristóteles, na Poética:
ἂν ἰατρικὸν ἢ φυσικόν τι διὰ τῶν μέτρων ἐκφέρωσιν, οὕτω καλεῖν εἰώθασιν: οὐδὲν δὲ κοινόν ἐστιν Ὁμήρῳ καὶ Ἐμπεδοκλεῖ πλὴν τὸ μέτρον, διὸ τὸν μὲν ποιητὴν δίκαιον καλεῖν, τὸν δὲ φυσιολόγον μᾶλλον ἢ ποιητήν. (Aristot. Poet. 1447b, http://perseus.tufts.edu, 2013)

“Se alguém compuser em verso um tratado de medicina ou de física, esse será costumeiramente chamado [poeta]. Mas nada comum há entre Homero e Empédocles exceto o metro; por isso, enquanto aquele merece ser chamado poeta, este [merece ser chamado] fisiólogo mais do que poeta.”

Bem, se a distinção de gênero é inerente à natureza do texto, e não à sua forma, precisamos primeiramente analisar qual seria a natureza de um e de outro.
Sabe-se ser impossível descrever e sistematizar qualquer princípio, ligado ou não à linguagem, sem a utilização mesma da linguagem. Percebendo isso, Aristóteles percebeu que é impossível que uma pessoa desenvolva a própria inteligência sem dominar, antes disso, a linguagem. Identificando, pois, as inúmeras variações de linguagem, que passavam por intenção, ambiente de uso, lugar etc., ele postulou que a Arte da Filosofia se devesse construir sobre um discurso reto, id est, SIMPLES, CLARO, OBJETIVO, privado de emoções e falácias que lhe incutissem credibilidade sem mérito. Essa descrição se encaixa com perfeição na nossa definição de dissertação.
Simplicidade e clareza são, para todos os efeitos, questão de linguagem. Para que haja clareza comunicativa, é necessário que haja um VOCABULÁRIO formalmente ligado a CATEGORIAS VERDADEIRAS, comuns ao locutor e ao interlocutor, ou em plena demonstração para este. Para que haja simplicidade, é preciso que o locutor não utilize erroneamente a sua RETÓRICA de modo a confundir o interlocutor com construções confusas ou com informações não pertencentes ao contexto – hoje, usa-se a formalização de estilo como estratégia para balizar essas características. Ora, se ambas são os requisitos tanto para a dissertação quanto para o artigo de opinião, resta-nos a objetividade como fator diferencial entre ambos: enquanto a dissertação é pedida por professores como um texto OBJETIVO, o artigo de opinião é avaliado como um texto SUBJETIVO. Apenas a definição basta para saber que uma dissertação não pode ter como foco as emoções e opiniões do autor (sujeito), mas deve tratar de maneira direta e neutra sobre o assunto (objeto). Sendo assim, o próprio gênero dissertativo pressupõe a existência de uma natureza própria do objeto, e que o ponto de vista deve, na medida do possível, ceder-lhe lugar.

Apesar, portanto, de o nome Dissertação remeter etimologicamente à expressão das palavras, precisamos entender que a descrição do seu gênero per se exige que se vá além; entender que o próprio discurso (λόγος – lógos, em grego), configurado em dissertação, é a ferramenta principal de formação do conhecimento e de investigação do mundo (φιλοσοφία – philosophía, em grego). Então, pode-se concluir seguramente que dissertar é parte fundamental de um processo de investigação sobre a VERDADE, palavra integrante dos vocábulos proibidos pelo novíssimo politicamente correto. Não presumir a existência de uma VERDADE OBJETIVA, portanto, significa presumir a impossibilidade de se escrever um texto objetivo; significa igualar dissertação ao artigo de opinião, tornando o conteúdo programático do MEC redundante; significa presumir que tudo no mundo é questão de opinião, reduzindo toda e qualquer manifestação da realidade a uma loucura idiossincrática; significa, por fim, tornar toda a produção de conhecimento uma atividade tão inútil quanto fútil.
Adianto-lhes: as quatro últimas consequências, bem como outros possíveis destrinchamentos, podem ser facilmente observadas falsas porque há, sim, uma VERDADE OBJETIVA, que independe da opinião de quem observa. O grande problema de tal inevitável conclusão é que ela nos atira contra uma muralha de preconceitos culturais desenvolvidos ao longo de alguns séculos com um propósito político específico. Mas, pela saúde deste mesmo texto, os deixarei para uma próxima escrita.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

RETÓRICA MARXISTA

INTROITVM
            Marx, Kant, Nietzsche, Freud, Hegel et caterva comungam todos de um problema identificado já por Sócrates, na época dos sofistas: eles dissociam o ego real do ego filosófico. Ora, filosofia nada mais é que a descrição mais fiel possível da realidade. Se os dois “ego”s não buscarem por todos os meios possíveis ser um só, naturalmente o ego filosófico não terá compromisso algum com o ego real. Isso significa, trocando em miúdos, que o ego filosófico se preocupará com a elaboração de um sistema que faça sentido sem ter o compromisso de fazer esse sistema funcionar na realidade prática. Portanto, se o sistema descrito for algo completamente falso, irreal, ele passará por verdadeiro contanto que seja verossímil.
                Ou seja: para os filósofos modernos, A REALIDADE NÃO IMPORTA – e nem teria como, uma vez que, por princípio, a produção intelectual desses sujeitos se iniciou distante dela.
                Em Marx, especificamente, a verdade é uma IDEOLOGIA, ou seja, uma invenção desonestamente verossímil que visa a conquistar SUBSTRATOS – para ele, sempre de cunho econômico. Ora, se para ele a verdade é uma ideologia, podemos presumir que tudo o que ele produziu seja ou falso, ou desonesto ou ambos. Se o sujeito se fizesse conhecer somente pelo valor de sua filosofia, certamente a não reedição de suas obras já teria dado cabo da sua infeliz memória. Contudo, os ideólogos iluministas, que já então mandavam no mundo, se apossaram de seus livros e manifestos e os transformaram em um sistema cultural complexo, de modo que todos os países pertencentes a ONU eduquem seus jovens para ter total desprezo pela realidade prática, ao passo que valorizem os dados da realidade fictícia que configuram a NOVA MORAL vendida por esses mesmos ideólogos.
                Esse desprezo se coroa na educação básica, quando ensinam os alunos a dissertar através de mecanismos rudimentares, como brainstorming, listas de “prós e contras”, vocabulário crítico previamente estabelecido, fórmulas de argumentação crítica previamente estabelecidas e investidas de criatividade argumentativa – que precisam ter não mais que um aroma de verossimilhança, mas precisam defender as famigeradas CAUSAS SOCIAIS.
                Nisso, portanto, consiste a porta de entrada para a maior parte dos concursos: MATERIALISMO PRÁTICOSLOGANSCAUSAS MILITANTES e VEROSSIMILHANÇA. Qualquer produção nesse sistema não precisa ser necessariamente verdadeira ou falsa; a verdade simplesmente não interessa, uma vez que o objetivo desse tipo de sistema não é avaliar a capacidade escrita de ninguém. Esse sim possui um substrato: a formação de mentes vazias com delírios de grandeza; idiotas úteis, incapazes de perceber sequer a própria sandice.